Let's talk with // Carlota & Didi, Lugar dos Pernilongos


Hoje a entrevista é não a uma, mas a duas mulheres maravilhosas (Carlota Borba e Didi Ramalho) responsáveis pelo Lugar dos Pernilongos, uma quinta pedagógica na Herdade da Gâmbia.

1. A Carlota é...

[C]: A Carlota é professora de ballet, uma das gerentes da Herdade de Gâmbia e promotora do Lugar dos Pernilongos. Adora poder trabalhar no que gosta, que inclui estar no campo, ter contacto com animais, mas também poder ensinar dança clássica a crianças.

2. A Didi é...

[D]: A Didi é educadora de infância, organiza e dinamiza as atividades para crianças no Lugar dos Pernilongos. Criativa e transformadora de material, que outros consideram sem interesse, em material divertido e útil. Este é um projeto que reúne duas das suas paixões: crianças e natureza.

3. Como começa o vosso dia?

[C]: Ao fim de semana começo a manhã por alimentar todos os animais, e soltá-los para um cercado onde as crianças podem entrar e contactar diretamente com eles. Durante a semana sigo para o escritório para ver os meus emails e tratar de alguns assuntos de gestão e ao final da tarde sigo para Lisboa para dar aulas de ballet.

[D]: Começo por ir buscar a Maria dos Anjos, a padeira de serviço do Lugar dos Pernilongos, e organizamos os materiais para as atividades do dia. Em dia de visita recebo as escolas e lidero as visitas em conjunto com a equipa.

4. Para começarmos do princípio, contem-nos como é que o vosso caminho se cruzou?

[C]: As filhas da Didi, a Maria e a Bárbara, são minhas alunas de ballet, portanto eu e a Didi já tínhamos conversado sobre o interesse da Didi de deixar a escola onde estava, para criar um projeto independente. Uns meses depois, ao questionar a Didi, sobre o seu projeto, ela mencionou que este não tinha avançado e foi nesses pequenos segundos que disse: “O que achas de dinamizar uma quinta pedagógica”. Naqueles segundos pensei “acabei de fazer uma proposta de trabalho para uma parceria e não falei com mais ninguém da Herdade de Gâmbia”.

[D]: Eu tinha decidido mudar de vida e os meus planos não saíram como esperava, o projeto que tinha em mente não avançou. Quando de repente, no meio dos balneários do ballet das minhas filhas, a Carlota me propôs dinamizar a Quinta Pedagógica, nem pestanejei e disse que sim!!

Duas semanas depois estávamos sentadas na sala de reuniões da Herdade de Gâmbia, projetar o que se tornou o Lugar dos Pernilongos.

5. Ambas estão ligadas à educação e às crianças, mas como surgiu a ideia de uma quinta pedagógica?

[C]: Já há uns anos tínhamos tido a herdade aberta a receber escolas e grupos, na altura demonstrou ser um projeto com boa adesão, no entanto acabou por terminar. Após o término do meu mestrado em educação, senti a vontade de criar um projeto que envolvesse as crianças e a natureza. Desde há muito tempo que recebemos grupos de escuteiros e guias para acampar, mas queria que outras crianças pudessem ter acesso e contacto com as atividades rurais.

[D]: Cada vez se dá mais importância e valor às experiências em contacto com a natureza que permitem à criança desenvolver-se como um todo, com respeito e em harmonia com o ambiente que a rodeia, sempre achei interessante e importante promover este contacto. Esta é uma oportunidade que penso que qualquer educador gostaria de ter, aliás é mesmo essa a ideia que os educadores que nos visitam me transmitem.

6. Depois dessa primeira reunião, o projecto desenrolou-se facilmente ou tiveram percalços?

[C]: Sim, correu tudo muito bem. Ao fim de dois meses e meio estávamos a abrir as portas no dia 11 de novembro.

[D]: Fomos tendo vários encontros e estabelecendo objectivos e correu sempre sem grandes percalços.

7. Quais os maiores desafios de gerir uma quinta pedagógica?

[D]: Um dos maiores desafios é a organização, recebemos muitas vezes grupos grandes com mais de 100 crianças e é necessário que sintam que são especiais e que nada é feito a despachar ou em cima da hora. Isto exige também uma articulação com a Carlota que permita que as atividades do Lugar dos Pernilongos se encaixem nas da Herdade sem se perturbarem. Outro desafio é o de criar novas actividades interessantes e cativantes para quem nos visita, sejam escolas ou famílias.

8. Como vêm o papel do Lugar dos Pernilongos na educação das crianças de hoje?

[C]: Nós o que fomentamos aqui é o contacto direto nas atividades, que quer isto dizer. As crianças põem as mãos na terra, na massa do pão, nos animais, nas laranjas, etc. Queremos proporcionamos uma experiência sensorial real, que chega às crianças através das nossas atividades.

[D]: Recebemos os grupos e queremos que se sintam bem no nosso espaço, sintam a calma e a liberdade que o campo pode proporcionar, tentem desacelerar o ritmo e quebrar rotinas, e claro através das atividades queremos dar a conhecer as tradições rurais. O respeito pela natureza e pelos animais é transversal às nossas atividades. Num mundo ideal cada escola, jardim de infância ou creche deveria ter um pouco do que temos aqui.

9. Para quem vos quiser visitar, o que é que vocês têm para oferecer?

[C&D]: Natureza, calma, animais simpáticos e uma bela limonada feita pela Maria dos Anjos! Temos atividades de dia inteiro e de meio-dia para escolas e organizamos eventos para grupos. Para Famílias fazemos festas de aniversário e temos o que chamamos – Na quinta em Família – que ocorre uma vez por mês com atividades dedicadas ao mês corrente. As atividades incluem uma vertente artística e outra de culinária e claro a muito desejada visita aos animais. Por exemplo agora no mês de maio, dedicámos o mês à ovelha, portanto vamos ver a tosquia, tratar a lã, tecer num pequeno tear e fazer queijos frescos.

10. Consideram que o facto de serem duas mulheres tornou o processo mais difícil ou, por outro lado sentem que a vossa sensibilidade foi crucial para dar vida a este projecto?

[C]: Penso que não é pelo nosso género que facilita ou dificulta o processo de trabalho entre nós. Apenas sinto que o facto de termos valores similares, uma boa ética de trabalho, respeito mútuo e o comum interesse de dar a conhecer o que consideramos ser fantástico, o Lugar dos Pernilongos, o que deixa que esta parceria corra tão bem.

[D]: Penso que o processo foi fácil não sei se por sermos as duas mulheres, mas porque temos uma forma de reagir e de resolver situações semelhante, influenciamo-nos e damos liberdade criativa uma à outra.

11. Em que é que a vossa vida mudou, e de que forma, desde que abriram a quinta pedagógica?

[C]: Passo mais tempo na Herdade por exemplo; o efetivo animal aumentou, pois anteriormente na Herdade antes apenas tínhamos vacas, ovelhas para produção animal e cavalos. Agora temos galinhas, patos, fracas, cabras, porcos, burros, o que exigem acompanhamento diário.

[D]: Tenho muito prazer naquilo que faço, estou completamente empenhada no sucesso deste projeto mesmo quando não estou na Herdade. Eu transformei-me numa trabalhadora quase sazonal, no inverno temos poucas visitas e trabalho mais em casa a fazer contactos e organizar a época alta. Tenho muito mais tempo para a família e menos burocracia para tratar do que quando estava numa escola.

12. Como se vêm daqui a 5 anos?

[C]: Continuar a fazer o que fazemos com o prazer que temos, fomentando simultaneamente a educação ambiental. Quem sabe não teremos de aumentar as instalações e criar condições para podermos receber grupos maiores. A Herdade de Gâmbia pela sua localização tem um enorme potencial e é de fácil acessibilidade.

[D]: Vejo-me a continuar a investir no crescimento do Lugar dos Pernilongos. Uma das ideias que temos discutido é a de abrirmos o Lugar dos Pernilongos ao público alguns fins de semana de época alta, porque as famílias têm aderido muito bem aos nossos programas de fins de semana, portanto parece ser uma boa área para apostar.

With love, JL

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