Let's talk with // Cátia Curica, Organii


Sabem quando conhecemos alguém com o qual ficamos rendidas à sua simpatia? É isso! Não conheci pessoalmente Cátia há muito tempo. Na verdade só estivemos juntas uma vez e diga-se que foi tudo muito rápido porque estavam muitas pessoas. No entanto, e não sabendo muito bem explicar porquê, a Cátia é das pessoas com quem eu senti uma empatia grande. Há muito tempo que seguia o trabalho da Organii mas foi quando conheci pessoalmente a Cátia que percebi que por detrás da marca estava uma mulher incrível, super simpática e com uma magia inexplicável.

E isso comprovou-se com a entrevista que ela me deu. Está incrível e não vão [mesmo!] querer perder as dicas que ela tem para vos dar. Ora vejam:

1. A Cátia é...

[CC] Sou uma ecologista ferrenha e muito interessada em alimentação saudável. Andei nos escoteiros de Sintra desde pequena e tivemos uma grande sensibilização ambiental, vivíamos em comunhão com a natureza, percebíamos como manter os recursos e como ter baixo impacto, fazíamos ações de recolha de lixo, entre outras coisas. Adorei a experiência e os valores sempre me acompanharam. Aos 15 anos quis ser vegetariana pela primeira vez e, depois de muitas idas e voltas, encontrei a macrobiótica aos 22 anos. A partir dessa altura nunca mais deixei de estudar alimentação saudável e de comer de outra forma. Acho que estas são as minhas principais características. Em termos de feitio ganhei fama de assertiva e fundamentalista... Mas acho mesmo que sem experimentar e ir a fundo nas coisas não se consegue perceber o impacto de nada.

Acredito mesmo que pudemos mudar, nós e o mundo, basta querer.

Adoro segundas-feiras, Setembro e Janeiro pela ideia de poder recomeçar e adoro planear.

2. Quando é que começa o teu dia?​ [CC] O meu dia começa às 7h00 para preparar os miúdos para a escola. Fazemos tudo com alguma calma para não começar o dia com stress. Tomamos o pequeno-almoço todos juntos. Às 8h00 saem com o pai e fico eu sozinha em casa. Adoro. Porque posso arrumar e ter a casa arrumada por 5 min no dia ;), porque posso pensar e refletir no que quero para o dia e para a semana. Tento fazer crossfit pela manhã 4 vezes na semana.

3. Quando é que surgiu esta paixão pelo nacional, biológico, orgânico e saudável?

[CC] Na adolescência e com os escoteiros adquiri consciência ambiental, vontade de mudar o mundo, amor e uma cabana, ser hippie. Aos 22 anos, com a macrobiótica, passei a comer bio, a levar marmita para todo o lado, a comprar detergentes ecológicos e, mais tarde, cosméticos. Por isso, na minha vida e na minha casa foram coisas que desde nova foram sendo adquiridas e ficaram.

4. E como (e quando) é que surgiu a ideia de criar a Organii?

[CC] Isso só mais tarde, em 2007 e 2008, e apenas quando em viagens começamos a encontrar muita cosmética biológica gira, boa, que não fazíamos alergias (sou ruiva e fiz toda a vida inúmeras alergias de pele) e começámos a pensar que se calhar haveria mais pessoas como nós que gostariam de ter mais oferta de cosméticos bio em Portugal.

5. Sei que esta marca foi criada em parceria com a Rita, a tua irmã. Conta-nos como é a experiência de trabalhar em família? Conseguem não falar de negócios nos jantares de família? Ahaha

[CC] Bom, é sempre delicado... E andamos sempre a ver até quando... Ahaha...

Como qualquer outra coisa tem vantagens e desvantagens. Para nós as vantagens são as da confiança, de querermos o mesmo e sabermos que aconteça o que acontecer agimos com a melhor das intenções para a empresa e para com a outra. As desvantagens é termos a tendência de estar sempre a falar do assunto, trabalharmos nas férias, aos fins de semana. Especialmente eu, que consigo mesmo ficar viciada na Organii. E depois somos irmãs próximas, conhecemo-nos bem e vemos os nossos defeitos, inclusive no trabalho. Muito críticas uma com a outra. Mas também estamos habituadas como irmãs a resolver conflitos entre as duas desde pequenas, por isso tem resultado.

6. Hoje em dia há muitas pessoas que fazem questão de optar por produtos biológicos e orgânicos, em prol de um estilo de vida mais saudável e ecológico. Consideram que este tipo de produtos serão líderes de mercado num futuro próximo?

[CC] Não tenho dúvidas, acho que o standard futuro em tudo será o bio, na comida, nos detergentes, na cosmética. As pessoas só vão querer produtos sem derivados do petróleo e que sejam mesmo naturais, sem químicos nocivos, pesticidas e herbicidas.

7. Neste momento a Organii é uma marca de sucesso que já conta com várias lojas (Chiado, LxFactory, Saldanha, Porto, etc). UAU! Como é descrevem a sensação de saber que têm tantos espaços abertos em lugares tão importantes do país? É fantástico, certo?! :)

[CC] Certo, mas... A nossa questão é sermos uma empresa pequena que corre bem e está a ter sucesso mas que não tem rede e tem muita despesa. Queremos ter os melhores funcionários, poder dar boas condições de trabalho, mas as leis e os governos dão pouca confiança a mini empresas como a nossa. É muita burocracia, muita lei, muito advogado e contabilista e não há apoios a pequenas empresas. Não ganhamos para ter um gabinete de acessória jurídica e contabilística... Mas precisamos com frequência. Estamos muito felizes e confiantes para o futuro e temos uma equipa maravilhosa, mas acho que o nosso país tem de mudar face às pequenas empresas para estimular a colaboração e a formação de novas e mais empresas e fomentar o dinamismo.

8. Tendo o vosso próprio negócio/marca, quais foram as vossas maiores dificuldades ou medos? E quais as maiores forças quando iniciaram esta jornada?

[CC] Dificuldades e medos acho que é sempre comum - o dinheiro, ou melhor a falta dele. O que fomos tentando fazer foi sempre dar passos que conseguimos trabalhar e aguentar, experimentar e ver como corre e daí tirar conclusões e planear os próximos passos. Acho que a dificuldade é a falta de dinheiro e o que isso implica, que é ter muito trabalho com poucas mãos.

As maiores forças, foi acreditar profundamente no projeto e querer que ele vingue estando para isso muito alerta e percebendo que, mantendo a ideia base, muita estratégia vai ter que mudar e é preciso flexibilidade para o fazer.

Por um lado, temos que ser “casmurras” e agarrarmo-nos à ideia. Por outro, temos que ser muito flexíveis para ir mudando a forma em busca de alternativas viáveis. E apesar de giro e dinâmico é também o difícil Quando é a altura de deixar cair uma ideia? Como saber que já é altura de tentar algo de novo? Quantos meses depois podemos dizer que esta estratégia foi um sucesso ou um falhanço?

9. Pergunta difícil: consideras que ser mulher tem tido influência no teu percurso/projeto? Considerando que eras um homem, seria diferente? :)

[CC] Acho que não, sempre me senti muito “homem”... Acho que desde pequena fiz coisas de rapazes e nunca senti que não poderia fazê-lo. Houve muitas alturas que cheguei a desejar ser homem, mas hoje acho ótimo ser mulher e poder ser mãe.

10. Ainda falando sobre ter a nossa própria marca, o grande medo de muitas das pessoas é não conseguir clientes e, consequentemente, não tirar rendimento do seu trabalho. O que achas que foi fundamental para iniciarem esta vossa jornada e para conseguirem os vossos primeiros clientes? Algumas dicas para quem quer iniciar uma jornada destas?

[CC] Acho que para nós foi fundamental ter um outro trabalho (eu dava consultas de medicina tradicional chinesa e a minha irmã trabalhava num atelier de arquitetura).

Não depender da Organii no inicio deu-nos liberdade, como se fosse um hobbie, e isso foi muito importante para fazer o projeto que realmente queríamos fazer, sem pressão. Acho que é importante quem começa ter um rendimento B porque senão a pressão monetária é tanta que inibe a criatividade. Ou então ter um investidor.

Nunca nada é seguro ou 100% certo, mas com vontade e uma ideia que nos diga muito, acredito que qualquer um consiga. Às vezes as pessoas tem é uma ideia vaga e é preciso começar a tentar colocá-la na prática para ver se vai ser viável. Escrever, pensar e deixar amadurecer a ideia.

Também acho que ajuda muito sentirmo-nos à vontade no tema porque, no geral, se escolhermos uma empresa num campo que adoramos somos naturalmente experts no assunto, sentimo-nos confiantes, falamos com amor e energia e tudo isso é contagiante. Toda a gente gosta de ouvir alguém falar de algo em que se percebe que essa pessoa entende e domina.

Dicas:

  1. Escolhe algo que gostes muito. Pensa muito nessa ideia e de como melhorá-la.

  2. Pensa como achas que o público, se fosses tu, reagiria a essa ideia. As melhores ideias nascem das nossas necessidades. Se sentires essa falta, muito provavelmente outros também vão sentir. Serão os teus futuros clientes.

  3. Sê rápido na forma como agilizas a ideia. Quando uma ideia se forma no nosso pensamento parece que até essa altura não existia e a partir daí passa a existir, mais pessoas a vão ter também. Por isso é importante começares desde logo a desenhar um plano de ação.

  4. Procurares um braço direito nas áreas onde sentes que sejas mais fraco (finanças, gestão, marketing, etc.).

  5. Ser persistente e flexível ao mesmo tempo.

11. Ter uma marca com as redes sociais activas e bem construídas é fundamental para o sucesso da nossa marca. Consideras que apostar nas redes sociais tem feito diferença no vosso negócio? Qual delas achas que é o ponto forte na vossa comunicação? (Instagram, Facebook, Pinterest, etc).

[CC] Acho que é essencial. É o pilar de qualquer produto ou serviço nos dias de hoje. Fez, faz e num futuro próximo continuará a fazer toda a diferença para a Organii. Se existe área onde eu própria estou sempre a aprender é na comunicação. É a base da relação entre todos, dá confiança ao nosso público, às marcas que representamos, às marcas parceiras. É o que somos para todos os que não são da casa. Acho mesmo fundamental.

Acho que neste momento só trabalhamos facebook e instagram e podíamos ir mais longe mas também precisaríamos de mais recursos que não temos. O facebook é o mais antigo mas é no instagram que temos tido mais engagement e maior crescimento.

12. O que é que a vossa marca vos trouxe de melhor?

[CC] Pessoas, a oportunidade de conhecer pessoas maravilhosas. Porque, no fim, é de relações que todos vivemos. Pessoas da minha equipa que adoro e admiro muito e com quem aprendo diariamente. Pessoas como tu que só aparecem na nossa vida porque a Organii existe. Com as pessoas vem projetos, ideias e formas de viver interessantes, estimulantes que te fazem querer saltar da cama todos os dias.

13. Onde te imaginas daqui a 5 anos?

[CC] É muito difícil de dizer porque se há 5 anos me perguntasses isso, apesar de estarmos na mesma a viver em Lisboa e a trabalhar na Organii, as voltas que tudo já deu são impossíveis de imaginar. Mas claramente queremos ter uma marca de cosméticos no mercado criada de raíz por nós.

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With love, JL

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