Let's talk with // Filipa, Yoga com a Filipa


1. A Filipa é...

[F]: Praticante e professora de Hatha e Vinyasa Yoga há cerca de ano. Mas nem sempre assim foi… 2. Como começa o teu dia?

[F]: Acordo sempre cedo. Sair da cama bem cedinho pela manhã é uma rotina que já não dispenso. Assim que me levanto, visto a roupa mais confortável que tenho e faço a minha prática de yoga. Esta prática inclui sempre um momento mais meditativo, em que me centro, que ouço tudo o que se passa aqui dentro, depois a prática física para acordar e preparar o corpo para o dia e por fim o relaxamento final. Só depois preparo o pequeno-almoço, outro momento sagrado para mim! No meu pequeno-almoço não falta fruta fresca e papas de aveia. 3. Conta-nos um bocadinho a tua história. Tu trabalhavas numa grande empresa, e a tua formação nada tinha a ver com yoga ou saúde, certo?

[F]: Sim, formei-me em Economia, Gestão e Marketing. Fui sempre aluna exemplar e aplicada. Naturalmente, quando acabei o curso comecei a trabalhar na área. Entrei para uma multinacional e comecei por trabalhar na área financeira. Rapidamente se sucederam uma data de promoções e novos projetos, aumentos salariais, regalias e prémios de produtividade. Aos olhos de todos eu era uma pessoa super bem-sucedida no mundo profissional e com uma carreira muito promissora.

4. O que fez tudo mudar?

[F]: Apesar de todo o sucesso profissional, eu sentia que algo não estava como deveria estar. Sentia-me uma impostora. Quando as pessoas me perguntavam, onde te vês daqui a 5 anos, a minha resposta era standardizada: uma carreira bem-sucedida, com um cargo de chefia e a ganhar muito mais do que ganhava naquele momento. Lembro-me de esta ideia me sufocar secretamente. Foi aqui que me virei para o Yoga. Precisava de parar e de me sentir. E ouvi pela primeira vez a voz que vai aqui dentro e que nunca tinha prestado atenção por causa da quantidade de informação que absorvia todos os dias. Claro que não tardou muito a que toda esta “farsa” viesse ao de cima. Comecei a ter sintomas de depressão e esgotamento. Não conseguia dormir, chorava quase constantemente, tinha ataques de ansiedade, e só a ideia de pegar no carro e meter-me no trânsito parecia-me insuportável. Olhando para trás, consigo perceber o papel que o Yoga teve na minha vida, permitiu-me parar e escutar. 5. Quando percebeste que o teu caminho seria diferente daquele que tinhas desenhado até aí, como foi? A maioria das pessoas acaba por ficar paralisada e nunca chega a mudar! O que te fez mudar?

[F]: É engraçado porque sinto que paralisar nem sempre é mau. Quando comecei a ter os sintomas de depressão e esgotamento, sentia-me paralisada, não me conseguia mexer. Nada me motivada. Mas foi precisamente a falta de vontade para agir que me deu o alerta. Eu simplesmente não conseguia mais. Há muitas pessoas que me dizem que fui corajosa, por ter pedido um licença sem vencimento e ir viajar, mas a verdade é que para mim não havia outra alternativa. Eu já não conseguia mais. 6. Mudar traz sempre algum receio e dúvida. Como ultrapassaste isso?

[F]: Não acredito que se ultrapassa, simplesmente podemos passar a viver bem com a dúvida. Nada na vida é certo, o problema é acharmos que sim. Não há trabalhos nem relações certas. Isso é uma ilusão. Nesta fase da minha vida, desde que me despedi, a dúvida está muito mais presente, mas é algo que abraço e aceito. Nesta altura até agradeço, porque é indício que algo novo está a surgir. Lembro-me de achar que só me podia despedir quando encontrasse um trabalho estável ou, que pelo menos, soubesse o que queria fazer. No entanto, quando tomei a decisão de me ir embora da empresa onde trabalhava não fazia a mínima ideia do que queria, só sabia o que não queria. E para mim foi suficiente. Não queria adiar mais a minha vida e confiei que coisas boas viriam ao meu encontro. E assim foi! Algo muito importante também neste processo foi o apoio de algumas pessoas. Decidi rodear-me das pessoas que me nutriam e me apoiavam e afastar-me do que me puxava para baixo.

7. Como instrutora de yoga, quais são as principais dicas que possas dar a alguém que está a pensar começar a praticar?

[F]: Para praticar Yoga não precisas de ter flexibilidade, um corpo atlético, ou acreditar em nada que não te faz sentido. Se sentes que queres experimentar, quer seja por que razão for, procura um professor com quem sintas alguma afinidade (às vezes temos de experimentar vários para sentirmos uma ligação, não desistas à primeira) e depois confia no processo. 8. Com que frequência devemos praticar yoga para sentir os seus efeitos na nossa vida?

[F]: Tenho sempre dificuldade em responder a esta pergunta, pois como praticante de Yoga, tento fazê-lo todos os dias, desde a altura que me levanto até que me deito. Tento reger-me pelos princípios do Yoga sempre. No entanto, o Yoga é uma prática bastante pessoal, aliás o único objetivo do Yoga é a realização pessoal, daí que cada pessoa deverá praticá-lo como melhor lhe serve. Mas da minha experiência, quando uma pessoa começa, rapidamente quer praticá-lo mais e mais.

9. Explica-nos um pouco o que é a yoga, e diz-nos se receias que seja apenas e só mais uma moda.

[F]: O conceito de Yoga conforme visto aqui no Ocidente é bastante limitado. Yoga é uma ciência de vida completa. É o sistema de desenvolvimento pessoal mais antigo no mundo. Trabalha o corpo físico, mental e emocional, estabelecendo o equilíbrio entre eles. O propósito do Yoga é libertar o praticante de todo o sofrimento e conflito interno e externo, ou seja, levar o praticamente pelo caminho da autorrealização. Para isso, o praticante de Yoga segue um conjunto de valores como: a não violência, a não mentira, não roubar, a não posse, o contentamento, o respeito, a purificação do corpo e mente, entre muitos outros; cuida do seu corpo, através de práticas físicas (o chamado Yoga no Ocidente) e alimentação natural; pratica exercícios de respiração para acalmar e controlar a mente e medita.

Em relação ao Yoga estar hoje em dia na moda, não sinto que seja necessariamente mau nem tão pouco me preocupa, se levar mais pessoas a encontrarem este caminho. O único problema é haver muitas instituições que utilizam o nome Yoga para definir coisas que nada têm a ver com esta filosofia. 10. És mais feliz hoje? Farias algo diferente?

[F]: Sou mais feliz hoje, mas não estou sempre feliz. Posso dizer que estou mais centrada e mais honesta comigo e com os outros. Se faria algo de diferente? Não… 11. Onde te vês daqui a 5 anos?

[F]: Não sei, e é incrível que assim seja. Mas se me perguntarem para onde estou a caminhar neste momento, caminho para uma vida mais simples, com mais contacto com a natureza e mais sincera na minha relação comigo e com os outros.

Fotografias: Joana Duarte

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JL

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