Let's talk with // Naz, Ohana


Quando entrei no Ohana pela primeira vez a Naz não me conhecia. Curiosamente, fui atendida por ela com um sorriso amoroso. Elogiou a minha mala e começámos logo a falar sobre a India (sítio onde tinha comprado a mala). Foi empatia nos primeiros segundos de conversa e acabámos por ficar à conversa durante um tempo.

Conheçam a história da arquitecta de interiores, Health Coach e fundadora do Ohana, um espaço lindíssimo na Expo.

1. A Naz é...

[N] Uma Arquiteta de interiores e uma Health Coach. Sou uma pessoa bastante lógica e ao mesmo tempo super ligada às minhas emoções, sempre à procura do porquê das coisas. Foi a minha parte lógica que me trouxe mais perto ao meu sonho, foi o constante porquê da minha falta de energia, porquê da minha falta de concentração, porquê da minha flutuação de peso… foi tudo isso que me levou à descoberta para cuidar melhor de mim.

Adoro as artes e a decoração e foi daí que nasceu o meu primeiro amor, a Arquitetura de Interiores, mas quando entrei no mundo dos projetos de decoração de hotéis e restaurantes pelo mundo fora, sem muito tempo para mim, noites mal dormidas e deadlines atrás de deadlines, que vi a minha saúde a ir por água a baixo.

Foi neste momento na minha vida que me virei para a minha segunda paixão… ser uma Health Coach. Quando descobri o potencial que tinha de nutrir e amar não só o meu corpo mas a minha alma, foi este momento em que a minha vida mudou! Afinal ser uma Health Coach é muito mais do que cuidar da nossa saúde física. É cuidar da nossa saúde espiritual, emocional e, claro, do nosso coração. Isto tudo em conjunto com o meu hobby preferido… cozinhar. Fez me então ganhar coragem para abrir o meu primeiro restaurante em Lisboa… o Ohana by Naz.

2. Como começa o teu dia?

[N] Sendo completamente honesta, o meu dia nem sempre começa de maneira ‘zen’. Com um restaurante para gerir não existe tempo para muito mais na vida, ainda por cima porque este foi um projeto em que me entreguei de alma e coração.

Existem sim rotinas que tento seguir na minha vida, como tomar a minha água com gengibre, hortelã, e limão todos os dias em jejum. É uma daquelas coisas que não consigo viver sem.

Nos últimos tempos tenho adicionado os óleos essenciais, tanto antes de dormir como logo ao acordar. De manhã ponho sempre o óleo de limão no difusor, que purifica o ar e enche-me de energia para começar o dia bem.

Quando posso vou dar uma caminhada ou vou correr um pouco na zona da Marina da Expo. Mas realmente a coisa que mais gosto de fazer ao acordar, é lembrar me de todas as razões por qual eu sou grata na minha vida. Isso sim muda o meu dia completamente.

3. O teu percurso profissional começou numa área bem distinta da culinária ou da nutrição. És formada em arquitetura de interiores, porque se deu a mudança?

[N] Eu nao diria que mudei de carreira mas sim que complementei a minha carreira com mais algo que ma faz acordar todas as manhãs com um sorriso na cara. Entrei na área da culinária e nutrição holística porque sempre adorei cozinhar. Aliás, acho que sempre que me senti realmente feliz foi quando estava na cozinha a experimentar um prato novo, mas desde que me tornei vegetariana ou ‘veganish’ que a minha paixão pela cozinha se tornou mais saudável. Eu virei-me para esta área porque eu queria viver com abundância, eu queria fazer algo que realmente me enche se de energia, temos que trabalhar a vida toda certo? Eu queria fazer da minha vida algo que não fosse um existir mas sim um viver com todo o meu potencial.

4. Sei que és portuguesa, nasceste em lisboa, mas viveste grande parte da tua vida fora. Porque é que sentiste que querias voltar e que era aqui que querias montar o teu espaço?

[N] Pois, vivi em Moçambique, África do Sul e os últimos 10 anos foram no Dubai. Voltei para Portugal porque esta é a minha terra, e se eu queria começar e de certa forma contribuir para um estilo de vida mais saudável eu tinha que começar primeiro na minha casa! Todos os anos que vivi fora senti-me sempre uma estrangeira e o engraçado é que, quando voltei para Portugal, também me senti estranha pois o meu Inglês já é muito mais forte do que o meu Português. Mas, á medida que me fui integrando, eu realmente percebi que o meu lugar sempre foi cá.

5. Como arquitecta de interiores que és, foste a responsável pela decoração do espaço do restaurante?

[N] Sim fui eu mesma que pintei algumas das paredes, que escolhi as peças e que desenhei o espaço na minha cabeça e o tornei em realidade. Foi uma verdadeira aventura mas também foi um espaço que foi desenvolvido por ‘feeling’. Ia-o compondo dia após dia, com cores e texturas que me faziam sentir bem.

6.O teu restaurante chama-se Ohana by Naz, como te surgiu este nome?

[N] O nome Ohana já está tatuado no meu pulso há muitos anos. Ohana que dizer Família em havaiano, mas a coisa mais gira deste nome é que não é só família com quem nascemos mas também a família que adoptamos durante a nossa vida inteira.

Posso dizer-te que eu tenho a família mais maravilhosa que uma rapariga como eu possa desejar. Pais que sempre me apoiaram e que me fizeram crescer com muito amor e carinho e um irmão que sempre me deu coragem para seguir os meus sonhos! Sem a minha família eu realmente não era nada do que sou hoje. isso é um facto!

Mas o restaurante não se chama Ohana só por isso. Ohana porque conta no seu espaço a historia da minha família, desde o chão que imita a calçada portuguesa, aos cestos que vieram diretamente das ruas de Moçambique, aos candeeiros que trouxemos do Dubai, este particular conceito do Brunch que foi inspirado pelos maravilhosos brunches que tomei na África do Sul, e os desenhos de mandalas que eu demostro que os talentos dos meus antepassados passaram por muitas gerações.

Mas o que faz realmente do Ohana um conceito único para mim? São os meus clientes que em tão pouco tempo se tornaram em família que eu adotei. Eles sim me enchem de carinho e de amor, e é a coisa mais maravilhosa que eu alguma vez poderia pedir na minha vida.

7. Se tivesses de descrever o Ohana by Naz,a quem não o conhece, como o farias?

Vou pôr em palavras com as quais eu me identifico… A Dream Come True!

8. Supondo que só podes escolher um prato, qual achas que seria a especialidade do teu restaurante?

[N] Para dizer a verdade o meu prato preferido do Ohana são as patinasses de vegetais com arroz malandro, porque foi um prato típico português que sempre adorei. Mas claro quando era pequena, as patinasses eram feitas de bacalhau. Quando inventei este prato, nunca pensei que pudesse tornar um prato português, que eu tanto amo, num prato vegetariano que me faz ainda mais feliz do que o original. Sendo eu vegetariana esta é a minha versão de um prato perfeito.

9. Ter um restaurante exige muito de ti certo? Quais consideras que são os maiores desafios?

[N] Exige muito é favor. Os meus pais já estão na área da hotelaria há muitos anos. Por isso, de certa forma eu sabia em quê que me estava a meter, mas digo-te que se não tivesse tanto amor por o que faço era algo que me faria pensar 10 mil vezes antes de entrar nisto.

Não existe tempo para muito mais na vida quando se tem um restaurante, não tenho filhos mas este é o meu bebé! Tento o máximo possível criar um ambiente no Ohana em que as pessoas se sintam bem e acolhidas, porque é tão importante comermos de maneira calma e sã.

A coisa mais importante que tenho a dizer é que é uma área que requer muita calma e muita disciplina e todo o tempo do mundo!

10. A tua vida mudou bastante com a decisão de mudares de trabalho e de abrires um restaurante. Há algo de que tiveste de deixar para abraçar esta nova vida e sintas falta ou tenhas saudades? Por outro lado o que ganhaste? Como vês a balança entre o ganho e o perdido?

[N] Eu tenho que dizer que realmente perdi o descanso e o chegar a casa e desligar-me do mundo. Já não é algo que seja possível. Mas ganhei muitas histórias para contar, um sentido de responsabilidade muito grande e cresci bastante num ano.

Conheci bastantes pessoas, cozinhei muitos pratos, trabalhei e trabalho com pessoas fantásticas e foi realmente a melhor mudança que fiz na minha vida. Tenho que dizer que muitas vezes sinto saudades dos meus amigos que agora ficaram espalhados pelo mundo inteiro, mas a coisa boa é que fiz mais amizades maravilhosas este ano. Perdi muito pouco em ralação a quanto ganhei!

11. Como e onde te vês daqui a 5 anos?

[N] Bem, esta é a pergunta mais difícil de todas. Acho que neste momento o meu foco é mesmo a minha carreira e a minha vida profissional. Daqui a 5 anos gostaria de estar mais focada na minha própria Ohana. Acredito sim que quando o caminho é certo as portas se abrem, e eu quero ouvir mais o meu instinto daqui em diante. Não vou fazer grandes planos, porque em 5 anos muita coisa muda, mas acredito que o meu restaurante é só o começo de uma aventura muito interessante!

With love, JL

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