Let's talk with // Suzana, Luizas


Já vos disse várias vezes que o que mais gosto quando crio marcas é de acompanhar todo o seu crescimento e inserção no mercado. Mais do que criar um branding, eu faço questão de ajudar a criar uma identidade, uma personalidade. E isso não tem um custo extra... porque faz parte de todo o processo! O branding consulting é algo que deve fazer parte de todos os meus serviços, sem qualquer valor adicional. Isto porque não faz sentido eu criar uma marca se não a aconselhar, certo?

A Luizas foi o grande exemplo disso. A Suzana chegou a mim com a ideia específica do que queria para o seu negócio mas juntas construímos esta marca linda, cheia de paixão e de história. Por isso, não podia deixar de a convidar para nos contar como tem sido este percurso...

1. A Suzana é...

[SM] Calma, tranquila, original, persistente, irreverente. Crio e recrio tendências, sou designer de corpo e alma...

2. Quando é que começa o seu dia?

[SM] Acordo ás 7.15h da manhã, preparo os meus filhos para a escola, tomamos o pequeno-almoço juntos e, ora eu ou o meu marido, levamos os meninos à escola. Nos dias em que não os levo, tomo um bom café sempre na rua e sigo para o escritório ou para os meus fornecedores, dependendo da agenda.

A partir de Janeiro, vou complementar com aulas de ginástica logo de manhã, pois acho que me vai dar ainda mais energia! Até agora tenho feito ao almoço mas vou mudar esta rotina em 2018.

3. Como e quando é que surgiu a ideia de criar a Luizas?

[SM] As Luizas surgem na minha vida depois de vários anos na indústria têxtil (de fast fashion), onde sempre trabalhei com grandes preocupações de preços, produções e quantidades loucas onde o que importa são apenas os números e pouco as pessoas. Num lanche com a minha avó Luiza Santos, em que recebi uma marafona feita por ela de trapos, quer que por magia que esta pequena boneca me deu uma força tal, que me fez pensar no que mais me toca na vida - as pessoas, as suas histórias a sua alma.

Criar e recriar tradições tão portuguesas e que, a meu ver, estão esquecidas e não estão bem aproveitadas nos nossos dias.

Recriei, então, a nova Marafona. Mantive o 'não rosto' da imagem tradicional mas agora para que todas nós possamos vestir e sentir a força desta nova Luiza - uma mulher cheia de personalidade e com força de vencer. Tudo isto deu origem à lifestyle que para mim fazia e faz sentido para a marca: peças de roupa especiais, acessórios reinterpretados, desde os chapéus, às carteiras, aos lenços com novos desenhos, turbantes e lenços turbantes...

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4. Fale-nos sobre esta marca, que é tão especial e que foca tanto as profissões mais antigas de Portugal. Conte-nos mais sobre isso :)

[SM] Já tinha paixão pelas nossas tradições, pelos nossos bordados e pelos trabalhos feitos à mão (mesmo na parte dos vimes), devido à minha curiosidade de criadora. Mas com a Luizas & Co aprofundei esta parte. Fui para o "terreno", andei em diversas aldeias numa procura complicada pelas nossas tradições, pelos nossos artesãos e onde senti muitas dificuldades, infelizmente.

Foi, e tem sido, um trabalho muito complicado. Temos zonas do país onde estas tradições se estão a perder, ainda são pessoas de muita idade que fazem estes trabalhos - principalmente no norte do país - e que, morrendo estas tradições, as mesmas acabam. Por isso, um dos valores da marca é conseguir recriar este valor e vontade junto das comunidades mais jovens, transmitindo-lhes o gosto outra vez. É mostrar que se fazem produtos destintos e que com a moda podemos ter peças sem ser sempre com os tradicionais trajes dos ranchos. Podemos recriar peças contemporâneas e que andem no mundo com muito orgulho do que é português. E de uma forma muito actual!

5. A Luizas foi criada de raiz, com muito carinho e pormenor. Eu que o diga... foi para mim um orgulho enorme fazer parte da criação deste projeto! Considera que o branding de uma marca é essencial para o sucesso e bom desempenho da mesma?

[SM] Sem dúvida! Muito importante e é o fio condutor da marca. Mesmo sem falar, a marca vende e é cativada pelo olhar e este branding é o olhar, a sua primeira imagem. Parabéns Joana, conseguimos :)

6. Para trabalhar: sozinha ou acompanhada?

[SM] Até ao momento tenho trabalhado sempre sozinha, fora as parcerias, como é o caso da Joana. Mas as ideias, a maneira de comunicar a marca, os contactos com fornecedores e a sua procura, as ideias de peças e a sua maneira de apresentar - tudo isso é feito sozinha.

7. Tendo o seu próprio negócio/marca, quais foram as suas maiores dificuldades ou medos? E quais as maiores forças quando iniciou esta jornada?

[SM] Quando comecei, o meu maior medo foi conseguir produzir tudo o que a minha cabeça começou logo a querer criar e recriar. Tive muito medo de não ter as pessoas à altura para o fazer! Tive muitas portas que se fecharam… acreditem! E mesmo nos dias de hoje... é um trabalho diário. As pessoas têm medo de se comprometerem e de não conseguir cumprir; muitas vezes não é por elas mas sim pelos trabalhos que fazem. São sempre rotineiros e sair do "quadrado" não é fácil.

Mas a minha busca por bons artesãos é constante e não desisto! Mesmo os que me podem falhar agora, eu amanhã já estarei a caminho para descobrir mais…

A maior força são principalmente os meus filhos, que adoram a Luizas. Sim, os meus pequeninos falam da Luizas com um orgulho tal que me fazem sentir com força mesmo nos momentos mais difíceis.

Também a minha persistência. Tenho muita e vou buscar forças muitas vezes nem eu sei muito bem onde… mas vou e consigo! Lá vou eu outra vez sempre para cima! Tenho muito boa energia e, mesmo nos momentos mais baixos, lá estou eu com essa boa energia. Tem que ser, certo? Querer é poder e acreditar é algo que quanto a mim já e meio caminho :)

8. Pergunta difícil: considera que ser mulher tem tido influência no seu percurso/projeto? Considerando que era um homem, seria diferente? :)

[SM] Sem duvida! O o meu projecto é muito feminino e a pensar na Mulher de M grande. Tenho comigo grandes mulheres e faço questão disso porque acredito na nossa sensibilidade, na nossa força de fazer várias coisas ao mesmo tempo. Somos super mulheres mesmo!

Tenho o meu marido como empresário da Luizas por uma questão familiar e porque como familia é bom, mas sou eu a head para tudo!

9. Ainda falando sobre ter a nossa própria marca, o grande medo de muitas das pessoas é não conseguir clientes e, consequentemente, não tirar rendimento do seu trabalho. O que acha que foi fundamental para iniciar a sua jornada e para conseguir os seus primeiros clientes? Algumas dicas para quem quer iniciar uma jornada destas? [SM] A busca de clientes é uma luta diária, não acredito em poções mágicas e elas não existem! Trata-se de lutar todos os dias e de ter, num dia uma estrela, no outro dia outra estrelia e assim se vai. Não posso dar a poção mágica porque ainda não a tenho :)

10. Ter uma marca com as redes sociais activas e bem construídas é fundamental para o sucesso da nossa marca. Considera que apostar nas redes sociais tem feito diferença no seu negócio? Qual delas acha que é o ponto forte na sua comunicação? (Instagram, Facebook, Pinterest, etc).

[SM] As redes sociais são sem duvida um bom motor e, para mim, a primeira é o Instagram. Para a Luizas & Co. identifico-me mais e é onde tenho conseguido mais o meu público. É também onde os comentários surgem mais, que é algo que considero importante para seguir - o facebook.

11. O que é que a sua marca lhe trouxe de melhor?

[SM] O reavaliar a capacidade de criadora, o sentir que faço diferente e que realmente sabe bem acreditar e ver o resultado.

12. Onde se imagina daqui a 5 anos?

[SM] Nos mercados internacionais., onde as pessoas dão realmente valor a este tipo de trabalhos. Nos principais mercados fora de Portugal, sempre com as vendas online como tenho e já com algumas peças nas redes online internacionais (themodist.com, por exemplo)…

Obrigada querida Suzana, pela sua partilha.

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With love, JL

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