Let's talk with // Mafalda Rodrigues


A entrevista de hoje cai sobre o mundo da fotografia e sobre como a Mafalda concilia o mundo profissional com o pessoal. A Mafalda tem um talento enorme e não podia não a ter como referência aqui no blog.

1. Fala-nos um pouco da Mafalda... (aqui gostava que falasses um pouco de ti, do que te caracteriza).

[MR] Tenho 29 anos, sou casada há 1 ano e meio e tenho um filho de 10 meses.Sou formada em Educação mas ainda durante o curso tive a certeza que o meu futuro não passaria por aí e por isso esforcei-me muito por perceber no que é que seria boa e que me realizaria para a minha vida.Sou inconformada e não gosto de demasiada rotina. Adoro cozinhar e receber pessoas em casa. Gosto de fotografar e de (ainda) sentir o papel, para mim são essas as melhores memórias que ficam para a vida, sem grandes poses. Adoro música e cantar. Acho que peguei ao meu filho, adora dançar com muitas das músicas da minha playlist que fui fazendo enquanto estava grávida. Adoro cães e aos 17 anos consegui concretizar o meu sonho de ter uma cadela, era a Busha e teve 10 anos comigo, no ano passado tive que tomar a decisão mais difícil da minha vida, que foi acabar com o sofrimento dela. Ainda tenho muitas saudades, mas não sei se alguma vez vou ser capaz de ter outro!Adoro corações e tenho-os em várias formas, numa tatuagem, ao pescoço num fio, em almofadas, na roupa, etc. (que me lembre).Sou um bocadinho insegura e consumista - adoro roupa e tenho que me controlar muito para não ter sacos todos os dias, para bem do meu casamento ahah - sim, também tenho defeitos!

2. Quando é que começa o teu dia?

[MR] Bem, há quase um ano que não sei o que é um despertador :) tenho um despertador pessoal que se chama Domingos por isso acabo por fazer muito os horários dele, 8/8.30h estamos acordados!

3. O que é que não pode faltar em cima da tua mesa de trabalho?

[MR] Além do computador, tenho sempre post its onde vou escrevendo coisas perdidas. Notas, coisas s fazer, edições por ordem de entrega. Tenho sempre o leitor de cartões ligado, muitas vezes café e uma moldura com uma fotografia minha e da Busha.

4. Descreve-nos o teu dia. Um dia comum.

[MR] Um dia comum:Agora com bebé em casa as coisas mudaram muito, mas de certa forma até me deram uma rotina mais equilibrada. Antes ia fazendo, agora tenho aquele período de tempo e pronto.Por isso, acordamos e dou-lhe leite e faço o meu pequeno almoço. Não funciono sem tomar pequeno almoço nem beber café. Depois vamos para a sala e deixo o Domingos a brincar enquanto respondo e-mails que já tinha dado uma vista de olhos no telefone, ainda deitada, durante o tempo em que ele se entretem, há dias em que isso dura 1 hora outros em que dura 5 minutos. Num dia ideal vou andar uma hora perto do rio ou vamos dar um mergulho à praia. Depois trato do almoço e arrumo a casa, sempre com banda sonora! Na sesta da tarde tento editar o máximo possível mas muitas vezes é a hora em que consigo almoçar e não dá para muito.Depois a tarde é passada entre brincadeiras, lanches, banhos. E quando finalmente o Domingos dorme (20h30) consigo editar bastante e ser mais produtiva. Ao fim de semana o cenário muda todo de figura e passa muito por fotografar. Saio a meio da manhã e dependendo do trabalho fico entre 4 a 12 horas fora.Em dias em que fotografo durante a semana deixo o Domingos com a minha mãe e é uma correria!

5. Para trabalhar: sozinha ou acompanhada?

[MR] Depende. Se for edição posso estar acompanhada, se for alguma coisa que me consuma mais prefiro estar sozinha e em silêncio. Esta profissão é muito solitária e acabei por me habituar a isso, na verdade já não conheço outra maneira! Gosto de fazer casamentos com a minha assistente, é muito mais divertido! Obrigada Mariana!

6. O que não pode faltar na mesa de cabeceira?

[MR] Na mesa de cabeceira só tenho um livro e os produtos que uso à noite.

7. Rotinas matinais... conta-nos!

[MR] Pequeno almoço, torradas com Philadelphia e café, excepto à segunda feira em que não como pão #nobreadmonday e tento mesmo andar dia sim dia não. Depois arranjo-me e ponho pelo menos o meu creme anti-rugas e o anti-olheiras, que isto de ser mãe vem com o kit olheiras incluído! Tento muito não me descuidar comigo, acho que isso não faz sentido. Eu não deixo de ser eu só porque trabalho muito em casa e tenho um filho. Por isso mesmo em dias que só saio para ir ao supermercado tento ter o mesmo cuidado!

8. O que é que a tua marca te trouxe de melhor?

[MR] Tempo - esse bem precioso!

9. O que te faz fotografar?

[MR] Boa pergunta! Acho que é um bichinho que cresce connosco. Normalmente crescemos com alguém que também tinha gosto e vamos criando interesse. Eu vi sempre o meu pai com uma máquina e sempre gostei de fotografar. Por nada em especial. A emoção associada à fotografia é uma coisa mais recente. Hoje o que me faz fotografar além do trabalho em si é a vontade de fazer melhor e diferente.

10. Quando e como é que surgiu esta paixão pela fotografia?

[MR] Acho que respondi um bocadinho na última pergunta. Mas posso acrescentar que o facto de uma fotografia ter o dom de perpetuar alguma coisa, momento ou pessoa para mim é suficiente para me apaixonar todos os dias pelo que faço.

11. Casamentos, Baptizados ou sessões esporádicas. O que preferes?

[MR] Casamentos e sessões de new born são o meu top. Não quer dizer que não goste das outras. São fases! Quando estava grávida também gostei ainda mais de fotografar grávidas. Ahah

12. O teu Instagram é fantástico eo teu trabalho também. Qual consideras que seja a chave para ter sucesso e para criar uma comunidade fiél?

[MR] Antes de mais obrigada! Gostava de me dedicar mais a mostrar o meu trabalho, às vezes só mostro o meu filho, mas acho que é normal!Quando as coisas vêm do coração é fácil transmitir aos outros. Aprendo sempre alguma coisa nova quando saio para fotografar, gosto de ser fiel ao meu estilo e não publico sem pensar, editar, endireitar, etc. Não é uma coisa impulsiva, pelo contrário! Aprendi logo isso nas primeiras aulas de fotografia, o "melhor" fotógrafo não é o que tira a fotografia perfeita à primeira, é o que insiste até fazer dela “perfeita" e se for preciso volta ao mesmo sítio vezes sem conta! É por isso que não são as máquinas que fazem os fotógrafos como muita gente gosta de dizer "com essa máquina é só carregar", não. Por trás desse click estão horas de dedicação e aprendizagem. De uma outra maneira de observar o mundo.Também tento manter o meu instagram ligado à terra, sou contra o fake-instagram. Conheço algumas bloggers e realmente não me identifico com a postura de ter uma vida super interessante e movimentada, o meu instagram está “ligado à terra”. Não invento sítios nem coisas para fazer só para mostra uma vida que não é a minha, se calhar por isso é que me refugio nas fotografias do meu filho e antes até tirava muitas da minha cadela, são de facto o meu dia-a-dia.

13. Partilha connosco quais os teus maiores medos durante esta tua jornada. E quais as maiores forças?

[MR] Medos, tantos! Ainda não sou verdadeiramente auto-suficiente, os primeiros anos são de grande investimento ainda para mais numa fase de arranque de vida independente, não tem sido fácil, confesso. A instabilidade financeira para mim é o mais difícil, senti muito isso quando engravidei. Não trabalho-não ganho. Isso e o meu trabalho ser um livro aberto sobre um tema que parece que afinal toda a gente domina. Lido mal com a crítica gratuita e no meu trabalho há muito disso. Há muita comparação, competição, desvalorização. Ainda tenho muitas pessoas que me perguntam o que é que faço, como se fotografar fosse um hobby. Maiores forças são o ultrapassar as minhas expectativas na maior parte das vezes, as palavras boas, as pessoas boas que conheci e que se tornaram minhas amigas de verdade. O poder viajar em trabalho, tanto cá como fora, fotografar coisas diferentes desde noivas, bebés a cabelos e flores. Não há monotonia e horários das 9 às 5. Isso é para mim a fórmula do (meu) sucesso, pessoal e profissional! Não sou agarrada ao trabalho, é só parte da minha vida tal como outra coisa qualquer. Nunca quis ser prisioneira do meu trabalho porque no fim da vida isso não conta para nada. Recuso-me a perder momentos importantes porque fiquei presa no trabalho. Mesmo assim é óbvio que perco, casamentos de amigas, baptizados e festas de anos, os meus fins de semana são um corrupio, mas tento sempre manter os pés na terra. Espero conseguir isso sempre.

14. Sendo mãe, como encontras tempo para ti própria, para a criatividade e para criar novos conteúdos?

[MR] Quando ele dorme :) não é nada fácil. Acho que olhando para trás perdi muito tempo em nada, tempo que dava tudo para ter hoje, mas faz parte!

Sinto que com ele faço apenas o indispensável, projectos fora da caixa são irreais nesta fase. Não tenho muita ajuda externa e também é primeiro filho por isso estou mesmo a viver a maternidade em pleno o que me priva da parte mais artística do meu trabalho mas que por outro lado tem dado um novo tipo de clientes. Eu digo, principalmente aos meus noivos, o melhor que me aconteceu como fotógrafa de casamentos foi ter-me casado. Agora o melhor de fotografar bebês foi ter tido um! As coisas alinham-se de outra forma, há outra cumplicidade.

Em Setembro estamos a planear pôr o Domingos na creche e aí sim estou a pensar passar mais tempo na rua a fotografar esta cidade linda e também gostava de ter parcerias com sítios fora de Lisboa, para casamentos diferentes!

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